Por que ter um blog?
Não escrevo aqui propriamente pra ninguém ler... não sei se alguém visita, acompanha, nem nada...
Mas lembrei porquê eu tive diário quase que a adolescencia toda... era pra poder depois de um tempo reler as páginas e lembrar de momentos e situações com detalhes, o que me remetia também as sensações.
Outro dia tive um comportamento feio com um carinha que não via há anos e que há pouco tempo tem visitado as páginas da minha vida... só Deus sabe por que ele tem um espaço no meu coração... não que ele não seja merecedor, mas não entendo muito bem por que me importo e gosto dele... afinal... não deu tempo de sermos amigos de verdade, e não pretendo sentir outro sentimento mais forte por um cara com namorada... enfim... pra me desculpar mandei um e-mail e quero expô-lo aqui...
Com sua licença...
Ass: "Não mande um psicólogo pra cá."
Sabe quando a gente sente necessidade de expressar o que sente, o que pensa... essas coisas?
Normalmente as pessoas pensam antes de fazê-lo... nunca fui assim.
Sabe quando precisamos simplesmente ficar quietos porque alguém não quer ouvir nossa opinião?
É comum que se respeite a vontade da pessoa... eu sempre dei a minha.
Eu sei ouvir, tento ver o ponto de vista do outro, tento discutir com embasamento, mas não aceito imposição, ordem, nem "abuso de autoridade".
Não que me orgulhe de ter sido honesta demais com quem precisava apenas de consolo, de ter sido atrevida demais nas respostas a minha mãe ou insubordinada quando um chefe me dava uma atribuição que eu não concordava, mas esse é o meu jeito.
Não sei agradar por agradar. Sei agradar se acredito que aquilo vai te fazer feliz e se a sua felicidade for importante pra mim.
No restante do tempo não me preocupo com a opinião de ninguém e tento não interferir na vida de ninguém. Pelo menos de ninguém que não tenha pedido minha ajuda.
Se você não quer minha presença, não me convide nem por educação.
Se não quer minha opinião, não pergunte. E ainda assim corre o risco de ouví-la.
Eu sou espaçosa. Raramente passo desabercebida. Falo pelos cutuvelos e como quem fala demais acabo falando merda. Sou desbocada e não acho isso bonito. Bebo demais, fumo demais... enfim...
Adoro viajar e curto não só a chegada, curto muito o caminho percorrido.
Não posso escolher tudo pelo que vou passar e nem como vou me sentir, mas tento levar comigo meu sorriso e tentar fazer com que as coisas fiquem melhor do que estão.
Aprendi a não ser orgulhosa. Aprendi a não desperdiçar meu tempo me tolindo. Aprendi que sendo eu mesma posso não perder tempo tentando ser correta e com isso me divertir muito mais e aproveitar muito mais de tudo que a vida tem pra me oferecer. Não me preocupo em ser a melhor, me preocupo em aproveitar os momentos que vivo nessa busca.
Passei por coisas que você nem desconfia. Tenho convicções que provavelmente são vistas por você e por outras pessoas como imaturidade ou inconsequência. Mas as tenho... e a vida vai me mostrando onde acredito ter que mudar ou permanecer.
Passei tanto tempo me importando com meus rancores, mágoas, tristezas, que a felicidade se afastou de mim. Me tornei uma mulher bem mais feia por fora. Não só porque engordei, mas porque fiquei exculaxada.
Aparência, comportamento... todos sofreram com minhas frustrações.
Sem perceber me tornei numa mulher que eu não gostaria de ter ao me lado e ainda bem que aqueles que me amam de verdade permaneceram comigo. Não só minha família, mas os poucos amigos que me restam.
Quando eu era uma "dama" tinha zilhões de pessoas que se intitulavam meus amigos de verdade. Hoje conto nos dedos.
Me afundei muito feio em minha depressão e não vi quase ninguém na saída do poço tentando me resgatar ou simplesmente com sua presença pra me apoiar e eu saber que não estava sozinha.
Nisso fui virando essa Cristiane que manda todo mundo tomar no cú mesmo. Que se vulgarizou como que pra ter um escudo e não deixar as pessoas que não a amam de verdade ficarem por perto.
Não me orgulho disso. Sinto mesmo falta de mim. Mas só agora percebi que não estou mais triste e nem sofrendo. E ainda sim, tenho medo de deixar as pessoas que não conheço se aproximarem. Por isso as afasto.
Sei que é contrastante a Cristiane comunicativa, receptiva e brincalhona e a Cristiane receosa, mas quando criei tudo isso foi involuntário, numa tentativa de não mais sofrer.
Sempre dei muita importância a ser sincera, honesta, leal, fiel, cumplice, companheira com os meus e de tantas decepções percebi que quase ninguém é merecedor disso tudo.
Não estou falando das pessoas por vir, e sim das que viviam ao meu redor.
Dei minha cara a tapa muitas vezes e até hoje mantenho algumas de minhas decepções por perto, que não vem ao caso citar porque mais cedo ou mais tarde você pode vir a conviver com isso.
Enfim... talvez você esteja se perguntando o porque desse e-mail imenso e cheia de autocrítica e talvez você não esteja interessado em nada disso, mas gosto de você.
Gosto da pessoa que você me pareceu ser e não quero que você fique com uma imagem ruim de mim.
Prefiro até que a gente nem converse sobre esse e-mail, porque ainda me incomoda bastante me expor dessa maneira.
A Cristiane verdadeira demais, transparente demais, ainda não quer ser vista de verdade e nem discutida.
Sou muito sentimento, apesar de parecer que não. Pelo menos eu acho que pareço que não.
Me incomoda profundamente quando alguém importante pra mim se chateia comigo.
Não entendo porque é importante pra mim querer que você me conheça de verdade e querer você por perto, mas é... e eu não sei não falar o que sinto.
Desculpe pelo meu comportamento de terça. Sei que por bobeira você ficou chateado e eu fui a responsável por isso. Você deve achar que sim, mas não estava bêbada. Acho que o que fiz foi de propósito e isso me incomodou depois que vi que tinha te deixado realmente contrariado. Ou pelo menos foi o que pareceu.
Não mande um psicólogo pra cá pra ver porque que essa doida que tá te mandando e-mail. rs
Um beijo forte na bucheca e um abraço bemmmm apertado igual quando revemos um amigo que não víamos há muito tempo.
Cris
domingo, 7 de novembro de 2010
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